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As verdades imemoriais by ~MaryStone:iconMaryStone:



De tempos a tempos, surgiram pessoas estranhas que ocuparam a casa dos verbos e que fintaram todos. Todos os versos e todos os excertos de prosa ficarão guardados para sempre em cada gesto de mãos e de olhos por finalizar, com a dose exacta de elegância e de engenho. Costumam dizer que quem escreve se enfrenta com todos os seus fantasmas a qualquer hora. E que a soma de todas essas horas, em que se espalha contra uma parede banca um punhado de verdades mascaradas de normalidade, irá colidir num momento perfeito.

Tira esse sorriso do rosto.

O segredo da poesia não foi perturbado.
Apenas desapareceu no inacabado poço adolescente do esquecimento.

A música alta costuma acompanhar sempre que se precise de infligir uma dor de cabeça que abre o caminho para uma cama desconfortavelmente necessária.
Tudo faz parte deste estranho, inconformado, acelerado e doente passo.

Os homens nunca se deixarão desvendar. Será sempre um universo desajustado.
Guardam-se relógios nos bolsos, maridos e esposas em casas, filhos em escolas e os corações em caixas.

Nada disto faria sentido se não estivéssemos a descamar todas as sossegadas mentiras de cave.

A beleza de todas as palavras postas a secar depois de uma valente e odiosa enxurrada surge e desaparece sem aviso prévio. Mais tarde, insurge-se contra si mesma e metamorfoseia-se.


Duvida de tudo. De todos. Põe tudo em causa.
Principalmente, a tua mente.


A secretária cede lugar a qualquer mesa de café rasca escondida junto ao balcão.
As folhas de papel folgam e ofecerem a tarefa a guardanapos, a maços de tabaco vazios, a costas e palmas de mãos.

A cidade anseia por pegadas marcantes na lama que o Inverno trará.
Haverá provas de que o trilho sempre se fez e haverá quem o siga em nómada curiosidade.

Todos os versos se enterraram - é esta a perfeita e derradeira colisão.

"Mesmo que viremos costas ao fim do trilho iremos dar-nos conta de que estamos espelhados inversamente e que jamais poderemos fugir ao destino de chegar ao fim da viagem."
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:iconmarystone:

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Título: Interlúnio - as verdades imemoriais (parte II)


Maria Rocha, 2007

Comments


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:iconetrusca:
os poetas também se sentem perdidos, ou por isso é que são poetas, até quando param, mesmo quando custa, não deixam(os) de ser...
boas letras, as usual *
:iconhugoalmeida:
Fantástico! Gosto muito destas reflexões, destas tuas viagens, simultaneamente tão realistas/existenciais e inovadoras, ousadas, diferentes... É um fav, sem dúvida.
:iconcontos:
derradeira perfeição.

... (:
:iconmarystone:
Fico bastante satisfeita. Mesmo muito. Muito obrigada, Hugo.

--
m.
:iconmarystone:
: )

Parece que sim, querida. *

--
m.
:iconlinhas-de-agua:
Os caminhos não foram feitos para ser percorridos com os pés nem com as mãos mas sim com as linguas e com os corações em sangue. Chegar ao fim não é opção, vivemos permanentemente num fim. Dentro do caixão de ferro que nos leva ao túmulo do oblivio.

--
Gelo no abraço da Chama

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September 12, 2007
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