De tempos a tempos, surgiram pessoas estranhas que ocuparam a casa dos verbos e que fintaram todos. Todos os versos e todos os excertos de prosa ficarão guardados para sempre em cada gesto de mãos e de olhos por finalizar, com a dose exacta de elegância e de engenho. Costumam dizer que quem escreve se enfrenta com todos os seus fantasmas a qualquer hora. E que a soma de todas essas horas, em que se espalha contra uma parede banca um punhado de verdades mascaradas de normalidade, irá colidir num momento perfeito.
Tira esse sorriso do rosto.
O segredo da poesia não foi perturbado.
Apenas desapareceu no inacabado poço adolescente do esquecimento.
A música alta costuma acompanhar sempre que se precise de infligir uma dor de cabeça que abre o caminho para uma cama desconfortavelmente necessária.
Tudo faz parte deste estranho, inconformado, acelerado e doente passo.
Os homens nunca se deixarão desvendar. Será sempre um universo desajustado.
Guardam-se relógios nos bolsos, maridos e esposas em casas, filhos em escolas e os corações em caixas.
Nada disto faria sentido se não estivéssemos a descamar todas as sossegadas mentiras de cave.
A beleza de todas as palavras postas a secar depois de uma valente e odiosa enxurrada surge e desaparece sem aviso prévio. Mais tarde, insurge-se contra si mesma e metamorfoseia-se.
Duvida de tudo. De todos. Põe tudo em causa.
Principalmente, a tua mente.
A secretária cede lugar a qualquer mesa de café rasca escondida junto ao balcão.
As folhas de papel folgam e ofecerem a tarefa a guardanapos, a maços de tabaco vazios, a costas e palmas de mãos.
A cidade anseia por pegadas marcantes na lama que o Inverno trará.
Haverá provas de que o trilho sempre se fez e haverá quem o siga em nómada curiosidade.
Todos os versos se enterraram - é esta a perfeita e derradeira colisão.
"Mesmo que viremos costas ao fim do trilho iremos dar-nos conta de que estamos espelhados inversamente e que jamais poderemos fugir ao destino de chegar ao fim da viagem."















Comments
boas letras, as usual *
... (:
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m.
Parece que sim, querida. *
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m.
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Gelo no abraço da Chama
*hug*
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m.
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