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"Nunca mais soube de ti. Nem tão pouco me lembrei de me lembrar.
Chega a ser incómodo arrastar a memória temporal tanto tempo atrás.
Pergunto-me se as nódoas negras e a marca de cordas no pescoço
fazem parte da encenação. Há pessoas que fingem tão bem estar mortas
que só por isso o mereceriam, não achas?"




Quando fazem por nos apagar acredito que devemos saber sair de cena
sem causar grande alarido. Sair em bicos dos pés e apagar as cenas
em que as personagens se cruzam. Apagar as didascálias que nos recordem
disso e dar espaço, talvez para sempre, como assim o desejam.
Deve ser a alternativa mais correcta para que quem se encontra do outro lado
do pano ou mesmo da assistência consiga reflectir que esta é só mais uma forma de não violar a liberdade de ninguém. Ser livre magoa se uma das cláusulas for a da recusa da amizade genuína de alguém.

Talvez mais tarde alguém me explique a razão de recusarem um ombro honestamente fiel e amigo, virgem de mágoas. Talvez me consigam ensinar que o trilho que percorremos é sempre mais atribulado do que os quadros de parede.

Quando se desiste de alguém desiste-se também de nós, um pouco.
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Some rights reserved. This work is licensed under a
Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 License.
:iconmarystone:

Author's Comments

título: Curta

Maria Rocha, 2008

Comments


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:iconnomadaonirico:
Numa palavra:sublime.

É uma curta que dá pano para mangas.
:iconpsychotica:
quando se desiste de alguém desiste-se também de nós, um pouco.

isto é tão universal, tão fundo.
perante o sufoco, o que é afinal ser livre? (se sufoco não é afinal uma prisão) de facto vivemos para os trilhos traçados com outros; pode-nos parecer a liberdade um vaguear solitário, mas qualquer coisa nos diz que procuramos companhia. por isso custa abandonar, e raramente será isso ser livre.

(gosto das tuas palavras, que me tocam algures, e em coisas reais*)
:iconfrednunes:
E quão verdadeiro é o teu texto =)

--
"A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o homem, a amizade." William Blake
"The bird constructs a nest; the spider, a cobweb; the man, the friendship." William Blake
:iconmj911:
sem duvida...

--
“If your pictures aren't good enough, you aren't close enough.”
:iconlightparadox:
Não sei o que dizer. Mas conversámos tanto já, que tenho por certo que sabes o que penso.

*

--
And true love waits in haunted attics.
:iconmarystone:
É uma mistura do que eu falei e do que tu falaste também. E curiosamente tinha a parte entre aspas escrita há largos meses, concluindo-a agora.

*

--
m.
:iconmarystone:
É uma curta teatral e de folha apenas. Tudo num só, mas separada se assim se desejar.

--
m.
:iconmarystone:
A companhia que se procura, voluntária ou involuntariamente, acaba por nos encontrar sem grande esforço. Se for a certa, a que vai ficando com alguma importância no início e em crescente afeição. Ou em grande importância inicial e que também fica e vai ficando e surpreende ainda assim.

Haverá sempre coisas que ficam por falar, por dizer. Sempre. Mas é bom quando se encontram umas almas que por mais diferentes que são de nós nos acabam por espelhar também. E, para mim, uma amizade vale mais que qualquer outra coisa e apesar de haver uma reciprocidade quase orgânica e que muitos dizem ser um princí;pio obrigatório.... para mim será sempre liberdade. Sempre. E se alguém escolhe apagar-nos, acedo a um desaparecimento sem relevância mesmo que saibamos que não está correcto, mesmo que nos tenham magoado. Quando se tentou tudo não há mais nada a tentar... (espero estar enganada)


(e eu gosto das nossas conversas e de saber que isto te toca em algum recanto mais escuro e real. mesmo*)

--
m.

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June 24, 2008
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