[...]
Vou-me repetir até eu ter a exacta noção de que eu não me esqueço de mim e que talvez possa vir a surgir na memória de uma e outra pessoa de tempos a tempos. Posso não lembrar nada bom mas também nunca o disse que assim desejava. Ficarei ao menos com o peito menos cansado e saberei que o corpo não será o único instrumento a ser lembrado. Isto não é uma tragédia. Nem tão pouco ódio. Pelo menos, não desse que o humano comum possa vir a provar. Não vou desenhar nem descrever como é esse ódio de que falo, nem vou fazer o mesmo em relação àquele que possa já eu ter provado. Esse, só a mim me serve e basta. Só. E estas palavras, bem como todas as outras milhares de letras que já deixei algures por aí, de forma eficaz ou não, são apenas confissões.
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Já tentei de todas as maneiras tentar solucionar algo que, aparentemente, não tem possível solução. Chamam-me muitas coisas e agradeço-lhes mas eu sou a primeira a pôr-me em todos os ângulos e planos dos quais elogios e insultos poderão surgir e surtir ou não efeito. Já tentei vestir a culpa das coisas que correm mal; já tentei vestir a culpa aleatoriamente a corpos que se cruzam ocasionalmente comigo. Nada solucionou. Tempo perdido. Tempo ganho. O que nuns dias é certo, noutro é dúvida certa também. A única coisa que permanece intocável é mesmo a luta constante de tentar perceber e compreender tudo o que acontece. Todas as suas razões e consequências. O que nos move. Sim, já me incutiram tudo isso muito antes mas querem então crucificar-me por não dar por garantido tudo aquilo que escuto? Até porque se sabe que todas as verdades são diferentes. Então, qual seria a lógica de me conformar com o que me dizem?
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Vou-me repetir. E repito-me assim. Vou fazê-lo até que alguém surja detrás e me cubra a boca para que eu não tenha o tempo de destruir ninguém que realmente o mereça. Ninguém tem coragem para o fazer. Todos ocupam um lugar distinto na minha ordem de ideias que os faz ficar quietos quando me vêem exaltar (das raras vezes que o consigo fazer). Assustam-te palavras fortes como morte, suicídio, ossos e sangue? Devo advertir-te para que tenhas bem mais medo do que eu posso vir a executar. As palavras, as minhas, têm forte incisão na cabeça de quem lê, eu sei. Mesmo que não percebas – e não tens necessariamente de – se consegues aguentar até aqui, então é porque também gastas parte do teu tempo a gastá-lo.
[...]
Vês? Repito-me. E talvez nem diga nada mas se assim for, estou apenas a reproduzir as longas conversas, perdão, monólogos dos quais me fazem plateia. E se me repetir mais um milhar de vezes ainda não terei saldado a conta dos que me fizeram plateia este tempo todo. Aceitar todo o tipo de palavras, actos, por mais reles que sejam, é a funcionalidade que me foi destacada. E não tens de perceber. Tal como eu não me preocupo se amanhã faz frio no Pólo Norte.















Comments
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Image is a virtue of my nature, also has a video freak.
gostei muito. guardei. Parabéns!
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francisco.
E obrigada. Muito.
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m.
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m.
(Espero que estejas melhor.)
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m.
É incrivel como consegues transcrever o que te vai na alma, os teus pensamentos e ideias...
^^ *******'s
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" Angels, they fell first, but i'm still here! "
...
Obrigada.
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m.
- Dúvida do que que nos dizem ser certo
- Dúvida de nós próprios
- Procura por algo que teima em não parecer
- Tentativa/frustração de seguir esse algo e constatar que ele parece não existir (ou não existe mesmo)
- Necessidade de descarga do que se acumula dentro de nós
- Conversar connosco mesmo na esperança que alguém (incluindo nós próprios) nos ouça
- A arma chamada palavra é pálida em relação à palavra chamada acção
- Pensar incansavelmente até ser-se vencido pelo cansaço
- Ignorar por completo tudo o que foi dito anteriormente porque simplesmente não interessa se alguém percebe ou não
Não sei...provavelmente repeti-me novamente...
Olha, gostei muito
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