Às vezes torna-se fácil fechar a boca, os olhos, os punhos e forçar a força.
E falo-te de música uma vez mais. Daquelas que ajudam a expelir tudo o que se não quer e também o que se quer. Não entendes? Eu também não. A missão que me prende aqui será sempre, sem qualquer relutância, a de me tentar conhecer o melhor possível antes que me puxem pela mão e me façam iniciar a jornada do fim, do começo… do que não sabe se existe. Há aqui, nesta caixa, toda a vontade repartida por horas de cada dia de adormecer e acordar. E fazer isto tudo num movimento rotineiro para que alcance o momento de não pertencer a nenhum dos mundos. Habita também, sempre habitou, a vontade infinita de permanecer invisível e conseguir falar-te das coisas mais banais sem tas dizer de boca e corpo. À medida que o relógio avança, tudo o resto também avança retrocedendo. E assim, sem qualquer salvação, caminho sem poder olhar para trás para todo o fosso que parece ser estável, oportuno, quotidiano. E conforme a pessoa, caixa, corpo, embalagem, pequeno inferno se constrói em frente ao espelho eu só gostava de não estar aqui e não existir como parece sempre. Dentro de tudo e do mais fundo ainda, um dos desejos que tenho, que tive sempre foi o de não sentir. Seria tudo mais fácil ou não. Não sei. Diferente. Estupidamente diferente de todos os sonhos que depressa se transformam em pesadelos porque nunca consegui viver nos mundos que me fazem e nunca pertenci a nenhum. Se soubesses as maneiras que já me passaram pelos dedos de o fazer. Se soubesses haveria entre nós uma barreira que se construiria a um ritmo alucinante tal como aquele que nos leva ao fim de tudo. E afundar-me para depois me salvar eu-mesma vem sendo um filme que já não traz surpresas. A personagem deste lado já teve paz, tempo e trabalha todos os segundos mesmo que não o vejas para tê-los sempre nos punhos fechados. Não entendes? Eu nunca hei-de entender e faz-me confusão esta sensação de má disposição por trás da nuca que vai lentamente apoderando-se dos membros, dos órgãos dentro, das costelas – passando lentamente a dor a cada uma como se tocasse nas teclas de um piano. Pára. Paro, sim. Nada disto tem música. Talvez uma tosse constante a compensar as falhas das músicas que já estão arrumadas na cabeça e que de vez em quando param. Assim como eu gostava de parar a tudo. E continuo a saber que não sei nada. De mim. Ou talvez saiba e não goste.















Comments
simplesmente
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m.
"E coiso e tal."
Um beijo, Maria.
Sinceramente, gostei mt
Beiju**
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m.
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I keep my ideals, because in spite of everything I still believe that people are really good at heart. --Anne Frank
Deixo-me destas coisas. : )
Cá fiquei, isto anda mau. Qualquer dia ponho 'baixa' por um ano. Treta de tempo.
Beijo, Ju.
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m.
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m.
Vai escrevendo porque estou a gostar cada vez mais (isto sou eu em lesbo action, claro está - segundo o Sr. Petri.)
Outro
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